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segunda-feira, 14 de abril de 2014

A distância física na sala de aula favorece a distância emocional, que favorece certos escrúpulos em relação a um ou outro colega distante, que favorece animosidades escrupulosas, que alimenta a mesma animosidade, até que surge inimizades tolas. Algumas pessoas não descansam enquanto não se cansam. Quando estão bem com os outros, estão mal, mas quando estão mal, aí é que se sentem bem. Esquisito, mas é assim que acontece. Um alimento poderoso para as animosidades é um corrosivo natural: a fofoca. Ela destrói as boas relações de fato e as potenciais relações. Ela destrói aquela saudável curiosidade em conhecer melhor um companheiro de sala de aula: do sorriso outrora visto, nasce, da noite pro dia, um rosto sisudo, lábios cerrados, expressão fechada, olhar vago, falta de afeto. Se é verdade ou não aquilo que ouvem os ouvidos, ou o que se supõe ver, não importa. A fofoca tem boca torta. É o que na linguagem jurídica se chama "erro de tipo". Na Psicologia, podemos avaliar erradamente um fato, mas a resposta emocional ser perfeitamente adequada. Mas assim como a luz tanto mais difusa fica quanto mais distante está do observador, a fofoca é tanto mais corrosiva quanto mais longe da verdade. O ouvido tanto mais enganado quanto mais inclinado para estas frivolidades. Mas quem se ressente com a fofoca ou nela acredita, não erra tanto na avaliação do fato: erra mais em dar-lhe ouvidos. Já dizia Guimarães Rosa: "as pessoas afinam e desafinam." Mas com que artificialidade mesquinha nós tratamos o natural desafino de nossos colegas? Quanta incoerência! Se desafinamos com o mal, temos antes um severo potencial para afirmarmos no bem, e criarmos essa admirável sintonia fina entre as pessoas! E por que não percebemos isso? Temos um olhar treinado para perceber aquilo que desafina, como um fim em si mesmo, e mesmo sem fim. Ora, ninguém nasce para si mesmo, ninguém deu a vida para si mesmo, e ninguém realiza a si mesmo sem o outro. Isolar-se é a atitude mais ignorante da ignorância. Negar um sorriso é atitude indecorosa, indelicada, imbecil. Esta lógica é tão exponencial quanto quadrada. Sim, merece o adjetivo que tem, pois é uma lógica burra. Sabemos que todo mal exige reparação. A justiça o exige. Quebrar um vidro até merece perdão (como todo erro), mas não concerta o mesmo vidro quebrado. Da mesma forma, que gostosa reparação não seria um sorriso cativante dos que estão lá na frente, e também dos que estão lá atrás, do lado direito e esquerdo. Dos que entram e saem da mesma sala, ambiente de todos. Uma imagem caricaturada merece necessária desambiguação. O entulhamento de uma personalidade merece um honesto processo de limpeza, sobretudo ética, moral. Se é dura a reparação, visto que o orgulho se levanta como barreira ou falsa defesa, muito melhor seria se não os cometêssemos. Mas o que importa o erro? O perdão é sempre gratuito, o amor é sempre gratuito, e quem não tiver a necessária força para reparar, estamos aqui muito mais para amar do que para condenar. Afinal, faço questão de oferecer a melhor imagem, de formar nos outros a melhor imagem, e mesmo desafinando, a perfeição é a meta de nossa própria imagem.

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