O aluno entra na sala. O professor, sentado, já o espera. Inicia-se o discurso, não feito de palavras soltas. Antes, por uma linguagem corporal assaz eloquente, persuasiva. Vivemos em tempos modernos. Criticamente moderno, onde o novo copia o antigo. Um detestado por outro, um evocado pelo outro. E desta feita, assim se faz, monta-se o quadro, a cena, o palco, os atores, professores, alunos e todo o resto. Os últimos acompanham os primeiros, que outrora também foram últimos, que se presumiam, apressadamente, "primeiros." Assim se pensa. Exatamente isso, assim se pensa. De segunda a sexta, com um grau maior ou menor de flexibilidade, tudo flui, tudo se intenta, o plano de aula na aula segue (e tão somente na aula), até que o tempo a separe de outra, ou estas de um intervalo.
Passado este interregno, o aluno novamente senta, e o professor, como sempre, já o espera. Mas espera pouco. O tempo corre. O professor é remunerado em função do tempo, o aluno recompensado em função do espaço: o lugar onde senta. Trabalha-se o conteúdo tal como o palhaço no circo: há certa novidade nem tanto nas apresentações, mas na forma como é apresentada. Na prática, tudo redunda no mesmo. Que não se ofendam com a analogia. O palhaço também não se ofende com seu trabalho.
Sou persuadido a dizer que, onde se percebe padrões, supõe-se uma "intelligentia" apriorística. Apesar dela ser em si mesma boa, não presume-se tão apressadamente sua qualidade pelo simples fato de se perceber padrões. Algo pode ser criado, mas não bem pensado, ou não tão bem pensado e satisfatoriamente criado. De repente vivemos um modelo onde as coisas se revezam nesta lógica. Aí, quando se pensa, já se fez, e revolvendo-se em pedagógico remorso, pensa-se mais, e novamente não atingindo seu intento, reelabora-se o discurso, que redunda novamente em sua eterna e cíclica redundância. Sim, o tempo não para de redundar, quando se pensam, criativamente, nas mesmas coisas. Os atores mudam, as coisas não. O gênero nunca perece.
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