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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Penso que a Educação deva passar por um processo de purificação dos seus conceitos e princípios. E não vejo hora mais oportuna do que esta. Precisa se libertar de todo entulhamento a que fora acometida. É uma tal de escola nova com suas recicladas ideologias, um tal progressismo que, no intuito de estreitar a relação professor/aluno, quase que solapa até a base a necessária relação hierárquica, que em si mesma é e sempre haverá de ser saudável. De repente, valoriza-se o novo simplesmente pelo ar de novidade que exala. E Desprezamos o antigo pelo simples fato der "velho". Enrugamos forçosamente o passado, como se o tempo em si envelhecesse. Também as plásticas são forçosas, já que não-naturais. Talvez o futuro a que aspiramos não passa de uma projeção estética, vazia de conteúdo. Poucos transcendem a aparência. De repente levantam-se vozes acusando até então uma novidade "ad aeternum": há oprimidos e opressores também em matéria de educação. Mas uma impressão intuitiva me alertou para algo não menos interessante: não se estaria justificando a realidade da opressão exagerando-se, pois, a realidade do oprimido? Iisto não beira mais a ideologia do que algo "ipso facto"? A Educação parece hoje que vê o mundo com este olhar de soslaio, e que se prende demais a pequenas estruturas, pequenos recortes da realidade com suas teorias (algumas mais queridas que outras). Assim como ocorre com os fractais, em que , tanto uma pequena estrutura quanto o todo mesmo possuem a mesma forma, também a educação quer construir e reconstruir sua identidade com as mesmas e limitadas teorias. Acontece com a Educação o que acontece com nossa personalidade: quando reprimida demais em regras, namoramos o liberalismo, esbarramos na libertinagem, passamos por uma ressaca moral, e qual náufrago na iminência de afogar-se, aninha-se desesperadamente a qualquer objeto que flutue e lhe sirva de âncora. Temo justamente estas últimas. As boias que lançam frequentemente para que aquela não se afogue tem odor de socialismo, tem cariz de comunismo, tem uma essência que, sei lá, não se mistura com aquilo que é o substrato da educação. O mundo tem estrutura e ordem, o saber adquirido é antes um saber hierarquizado, um permanente "sine qua non", e não significado meramente subjetivo na cabecinha de cada aluno. A própria didática contradiz com silenciosos berros a toda esta filosofia "socializante" do ensino, do saber e de seu sistema.

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