Pesquisar este blog

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Educação Orientada a Projetos

Seria interessante ver uma escola onde o currículo seja orientado fundamentalmente a projetos, com a participação efetiva de todos os alunos (sujeito principal) na resolução de situações-problema, na experimentação, enxergando toda exposição teórica como uma ferramenta prática, aplicável. Sua implantação ocorreria e se fundamentaria em substituição ao processo avaliativo por meio de provas dissertativas e optativas, sem mitigar, obviamente, a necessária hierarquia dos conteúdos e das séries (ao contrário da tendência comunista e socialista do ensino). A razão de ser da didática está na sistematização e ordenação do saber. 

Ora, onde está a ordem, necessariamente está a hierarquia. Tudo o que faz sentido, na mente e no mundo, tem sua estrutura hierárquica. Caso contrário, teríamos sérios problemas em resolver conflitos de valores em nossa sociedade, porquanto não teríamos diretrizes alguma. O aluno deve ser orientado para projetos, e não para as provas. O sucesso de seu empreendimento mede o sucesso de seus estudos. Não vejo instrumento melhor de se praticar todas as habilidades necessárias para o êxito do educando senão por essa via. Entendemos por projeto um conjunto de atividades e recursos (neste caso pedagógicos) no intuito de se criar um produto único, singular e que funcione no cotidiano. Aqui importa fazer uma diferenciação: por que projeto e não interdisciplinaridade? Escolho a primeira, não em detrimento desta última, porque aquela tem sentido mais direto, pragmático. Ao se falar em interdisciplinaridade, ainda existe grande risco de se aglutinar matérias num tema em comum e nada ser produzido pela sinergia entre elas. Tal não ocorre em grande escala nos projetos, pois este só possui razão de ser quando for planejado, executado, controlado (avaliando sua execução passo a passo) e finalizado. E, claro, sua finalização, tanto no sentido de término quanto de intencionalidade, é um produto executável. 

A interdisciplinaridade (ou transdisciplinaridade,etc) não trabalha, necessariamente desta forma, com esta metodologia, e talvez nem com a mesma finalidade. Sabemos que, quanto mais nos envolvemos numa atividade programada, mais clareza temos de seu processo, mais objetivo fica nosso raciocínio, mais arguta nossa memória, mais afiadas nossas capacidades intelectivas, e estes elementos reunidos contribuem fortemente para manter acesa nossa motivação, ainda que com pouco estímulo externo. A escola pretende, transcendendo o plano teorético, identificar, fomentar, desenvolver, aprimorar e avaliar não só o conhecimento adquirido, mas as habilidades sociais e psicológicas de cada aluno necessários para tornar-se uma pessoa madura e crítica, tais como a capacidade de comunicação, o relacionamento inter e intrapessoal, a intuição, motivação e atenção persistente, alto grau de curiosidade, capacidade de se atentar a detalhes sem perder a visão de conjunto, a capacidade de ter uma visão holística sem desconsiderar as partes que compõem o todo, capacidade de compreender outras entidades conscientes em diferente grau de profundidade, capacidade de liderança e a inteligência emocional. Tudo isso é necessário para desenvolver um produto útil e que faça todo sentido tanto para o aluno, como para a comunidade em geral. 

Pensem numa escola assim, onde a química envolve-se organicamente com a biologia, a filosofia, a matemática, Português, etc. Sua vantagem é que cada aluno é como que "desafiado", ou inclinado a determinada matéria com a qual possui afinidade e, paralelamente, nenhum projeto logra êxito sem a participação conjunta das pessoas, Logo, ninguém sentir-se-á desmotivado em dar sua contribuição ou superar seus limites. Uma estratégia muito curiosa que nosso cérebro utiliza para aprender coisas que, a princípio, não desperta interesse, é aproximar este conteúdo desinteressante a algo que realmente o interessa. desta forma desenvolvemos uma "plasticidade" que favorece, e muito, a criatividade, a inventividade, as inovações, que podem ser traduzidas, mais adiante, na cura de uma doença grave, uma nova metodologia ou numa nova maneira de enxergar o mundo. Numa Pedagogia orientada a Projetos não haveria escusas indesculpáveis de que um aluno não poderia se adaptar a este estilo de ensino, a não ser que o processo de estimulação por parte do professor seja gravemente deficiente. Quando não transformamos o conhecimento em um produto útil, tudo se perde e nada se cria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário