Pesquisar este blog

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sabe aquela aula em que o professor repete duzentas e setenta e nove vezes uma coisa que você já sabe há zilhões de anos, quando basta-nos um só exemplo para entendermos o assunto? Isto pode ser sinal de grande interesse, motivação, potencialidade. Sabe aquela aula em que o professor repete duzentas e setenta e nove vezes uma coisa que você deveria dominar há zilhões de anos e que não entra em sua cabeça, ainda que memorizável desde a primeira repetição? Isto pode ser sinal de tédio, desinteresse. Em ambos os casos, isso pode ser sinal de uma grande inteligência desperdiçada... As pessoas não iguais, ou melhor, não é sadia uma igualdade que cria um "nivelamento a rodo", nivelamento que nem mesmo na natureza se encontra. Eis aí uma forma de violência muito velada. E toda violência é uma negação do desenvolvimento de uma pessoa. E esta negação da pessoa é a negação da própria Pedagogia. Sabe aquele provérbio japonês: o prego que sobressai é logo martelado"? Quem sobressai na sala de aula logo é tratado como orgulhoso, inquieto (lógico, alguém perguntou se ele sabe ou não isto ou aquilo? A Velocidade com que aprende as coisas? Cadê a avaliação diagnóstica?!), importuno, arrogante. É taxado de nerd, o "sabe tudo" (só quem sabe tudo é Deus), alvo de expectativas estratosféricas, irreais, burlescas. Grande injustiça. O aluno crítico incomoda, e veja - nos discursos, falamos muito bem em valorizar talentos, pessoas emancipadas, críticas e conscientes. E quando nos deparamos com eles, é como quem vê sem enxergar, ouve sem escutar, sente sem qualquer sensibilidade. A escola (incluindo a faculdade) é ambiente especialista em matar, sufocar, estrangular, degolar a sangue frio toda espécie de boa dotação e talento. O aluno diferenciado é obrigado a se conformar numa falácia de bifurcação: ou permanecendo calado, incomodado porque não incomoda, ou conformado com a "média", ainda que acima dela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário