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domingo, 5 de outubro de 2014


Uma estrela no céu, quando morre, gera outros tantos astros brilhantes, de modo que até o que não possui luz própria, antes faz-se vivo a espargir seu brilho, coroando o vigor de sua gravidade numa elíptica e constante audiência. Entre os homens, onde há dois focos de luz, ambos se ofuscam, e quando um morre, é porque foi morto por outro. Lembro-me, divagando sobre o cosmo, que um buraco-negro no espaço, de tão imensa gravidade, é capaz até mesmo de sugar a luz, impedindo sua reflexão. Mas curiosamente, praticamente todas as grandes galáxias possuem em seu núcleo um buraco negro. Como algo que nem mesmo poupa a luz é capaz de receber luminosa vênia de toda uma galáxia? Vaidade das vaidades, tudo é vaidade! Assim são os homens: gravitam mais poderosamente diante dos poderosos, estes alimentando-se de tudo aquilo que não é dele; aqueles, literalmente servindo-se de vaidoso alimento... Nem tudo que reluz é ouro. 
Mas este hediondo monstro cosmológico, quando já farto de se alimentar da matéria alheia, na sua gula insana e empedernida, provoca aquilo que é considerado um espetáculo sem par no macrocosmos: literalmente cospe luz! A isso chamamos de quasar, algo tão extraordinário que supera e muito o brilho de uma galáxia inteira. Entendi, por entre metáforas, que o homem cheio de si é sempre vazio. Que o homem vazio de si sacrifica os outros. Que o homem, farto dos outros, morre a si mesmo. E nesta condição, jamais refulgirá em sua própria luz.

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